O blog da Troça Nem Freud Nem sai de Cima vem captando interesses de nomes da literatura e da intelectualidade. O articulista e filósofo Eolino Pedrosa, que dispensa apresentações, acabou de aceitar o convite de comentar temas referentes à Freud e ao carnaval, que como mesmo diz “fazem parte da mesma folia” – lembra que esta palavra vem do francês Folie: loucura, desatino, maluquice. Inaugura seu artigo com um convite e com uma pequena homenagem ao Bloco Nem sempre Lily Toca Flauta:Hoje, sexta-feira dia 04 de março de 2011, o Recife mais uma vez será contemplado às 20h no mercado de Santa Cruz com a saída do Bloco Nem Sempre Lily Toca Flauta. O nome ingênuo, feminino, com forte referência a uma mulher primeva – Lilith quem sabe... – faz desse bloco lírico e paradoxalmente irreverente praticamente sua marca registrada. O carnaval é uma festa pretérita, e o bairro da Boa Vista, que aglutina a juventude universitária e as velhas capengas, não poderia deixar de ser o cenário do desfile do Bloco – inclusive, já se tentou deslocá-lo para outros lugares (Casa Forte, Pátio de São Pedro), mas há uma espécie de tropismo entre o bairro e o bloco. Sem a Boa Vista não há Lily e sem Lily não há Boa Vista. Acredito que o bloco é uma das maiores atrações do carnaval pernambucano. Seus temas musicais são os antigos e tradicionais frevos de bloco dos melhores compositores da região (Nelson ferreira, Capiba, Edgard Moraes, Antonio Maria, e, entre outros, o atualíssimo Getúlio Cavalcanti). Mas o que encanta no bloco, não é o fato de ser “só tradição”. Lily cantarola, ou melhor, toca flauta, como se saísse de um pastoril e no meio do caminho tomasse o caminho da lascívia e da perdição, o caminho do carnaval.
Eolino Pedrosa
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